Você estuda, pratica, talvez até more fora do Brasil, se comunica no dia a dia em inglês, mas quando alguém pergunta se você é fluente, trava. Não sabe o que responder. Algo dentro de você diz que ainda não é, mesmo sem conseguir explicar exatamente o que falta. Se você já se pegou tentando descobrir como saber se é fluente em inglês, o problema provavelmente não está no seu nível, mas sim na palavra “fluente”.
Eu não gosto dessa palavra, confesso. Uso muito porque é a palavra que você também usa, e se eu ficar falando de níveis de proficiência como A1, A2, B1, B2, ninguém clica, ninguém entende de primeira. Mas a verdade é que a palavra fluência causa mais frustração do que clareza, e entender por que isso acontece muda a forma como você avalia o próprio progresso.
O problema da palavra “fluência”
Não existe uma definição fixa do que significa ser fluente para um adulto aprendendo outro idioma. Qual é o ponto exato? Qual é a linha que divide uma pessoa fluente de uma que não é? Essa linha é arbitrária. Não existe consenso. Se você der uma passeada pela internet, vai encontrar pessoas dizendo coisas muito diferentes sobre o que significa ser fluente, e nenhuma delas está necessariamente errada, justamente porque não existe uma definição única.
Tem gente que acha que ser fluente é simplesmente conseguir se virar naquela língua, ter conversas superficiais e pronto. Tem quem só vai se considerar fluente quando parar de cometer qualquer erro. E tem quem argumente que sem um C1 ou C2 comprovado, ninguém é fluente de verdade.
Percebe o problema? Se você não consegue dizer com clareza o que considera fluente, também não tem critérios para avaliar se já chegou lá. Exatamente por isso que eu prefiro pensar em proficiência, não em fluência. Proficiência é dividida em níveis com critérios claros. Não é por acaso que os testes oficiais que você paga para fazer se chamam testes de proficiência, não testes de fluência.
Fluência pertence ao campo dos sonhos, das ideias gerais. Proficiência pertence ao campo dos planos concretos. Se você quer montar um plano de estudos que funcione, precisa saber o seu ponto de chegada com precisão, e “quero ser fluente” não dá essa precisão, porque o plano para se virar em inglês é completamente diferente do plano para que ninguém te confunda com um nativo.
Por que a confiança para falar inglês não vem antes da prática
Recebi um comentário de uma aluna que mora na Irlanda, trabalha como babá, se comunica o dia inteiro em inglês com a família, mas escreveu assim, “não consigo me sentir preparada para sair por aí conversando com as pessoas.”
A premissa dela era: “eu preciso me sentir fluente primeiro, porque aí vou ter confiança para usar meu inglês livremente.” Primeiro a fluência, depois a prática.
Para 99% dos alunos, essa premissa está invertida, e se você ficar esperando com essa mentalidade, não vai acontecer. Essa é uma premissa que nasce da insegurança, porque você não quer cometer nenhum erro.
O que acontece para a maioria das pessoas é o contrário. Você usa seu inglês muito, mesmo se sentindo inseguro, mesmo se sentindo bobo, mesmo cometendo um milhão de erros. Toda vez que abre a boca, comete 50 erros, e mesmo assim continua. É nessa prática que você constrói a sua confiança, e com essa confiança, você começa a se sentir fluente.
A sensação de ser fluente ou não está diretamente conectada à sua confiança. Eu confio no inglês que eu tenho e sou capaz de usá-lo para trabalhar, estudar, me divertir, fazer amigos, fazer parte de uma cultura. Quando abro a boca, não sinto que as pessoas estão me julgando. Fico feliz quando consigo usar meu inglês. Dessa confiança vem a sensação de fluência.
Confiança é consequência de muita, muita, muita prática. Mais do que você está imaginando. Pega o que está imaginando e multiplica por três, talvez por dez, principalmente se você é uma pessoa um pouco insegura.
“Não me considero fluente”
Já vi alunos no método CAIZ com nível de proficiência alto, comprovado por provas, um B2, um C1, que olhavam nos meus olhos e diziam, “Ju, eu não me sinto fluente porque não tenho confiança no meu inglês, mesmo tendo passado em um teste de proficiência.”
Isso acontece porque muitos alunos fazem algo sem perceber. Conforme estudam e melhoram, empurram a definição de fluência um pouquinho mais para frente. Sempre para mais longe. Como a definição é arbitrária, ela continua flexível, e o aluno, muitas vezes de forma inconsciente, ajusta o alvo para que ele nunca seja alcançado.
“Ainda cometo erros. Ainda não dominei 100% da gramática. Ainda tropeço quando falo. É óbvio que não sou fluente ainda.”
Existe um ponto nos seus estudos em que você precisa olhar para si e aceitar a ideia de que já é fluente. Você meio que tem que decidir, de agora em diante eu me considero fluente em inglês. Às vezes outras pessoas olham para você e dizem, “você é fluente, queria ser como você”, e você responde, “como assim? Eu não sou fluente ainda.” Essa versão imperfeita de você já é fluente, mas você está comparando com uma perfeição que não existe. Existe um ponto em que você precisa aceitar que é isso, que você já entrou no estado de ser fluente, e que isso não significa que vai parar de melhorar. Obviamente vai continuar melhorando. Mas agora pode se sentir bem consigo mesmo.
Afinal, como saber se você já é fluente em inglês
O nível B2 em inglês é bom? É mais do que bom, para mim é onde a fluência funcional começa. Justamente porque trabalho com isso e refleti muito sobre essa palavra, cheguei a uma definição que uso no meu trabalho e que vou compartilhar aqui.
Para mim, fluência é quando você consegue entender conteúdo feito para falantes nativos. Filmes, séries, músicas, livros, redes sociais, YouTube, o que tiver por aí. Você já está imerso no que acontece naquela língua, naquela cultura, nas discussões que estão acontecendo, sem precisar do filtro de aluno de idiomas. Consegue consumir aquele conteúdo na íntegra.
E você também é capaz de ter um desempenho muito bom na fala. Não é falar como um nativo, mas sim ser capaz de ter conversas longas e mais complexas. Mesmo quando não tem as palavras exatas, consegue transmitir sua ideia, consegue compensar uma palavra que falta aqui ou ali. Conseguiria facilmente trabalhar usando aquela língua, fazer apresentações, falar sobre si mesmo, sobre sua própria história, mostrar quem é, fazer amigos, morar fora, sem grandes dificuldades. Não é falar como você fala em português.
A maioria dos alunos vai conseguir fazer essas coisas no nível B2.
Você pode fazer testes oficiais de proficiência para descobrir qual é o seu nível, e faz sentido quando precisa comprovar esse nível para uma universidade, um emprego, uma imigração. Eu criei meu próprio teste de proficiência que você pode fazer para ter uma noção de onde está.






